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Crise hídrica já foi negada e gestão das águas pelo Governo é premiada. Essa é a realidade em São Paulo?

“Modéstia à parte, é merecido”. Essa foi a afirmação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ao receber o prêmio concedido pelo Congresso Nacional na categoria “Personalidades” pela gestão e implementação de políticas públicas em saneamento e recursos hídricos em São Paulo, local que enfrenta, desde janeiro de 2014, a maior crise hídrica da história, e que ainda não tem data para acabar.

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O Sistema Cantareira é o que apresenta a situação mais crítica. Em janeiro de 2014, operava com capacidade de 27%. Meses depois, em maio desse mesmo ano, teve início a utilização da primeira parcela do volume morto – um reservatório de água situado abaixo das comportas das represas do Sistema, representando uma reserva técnica -, e, em novembro, a segunda parcela foi utilizada. Atualmente, o Sistema Cantareira opera com 16% de capacidade, já considerando as duas cotas do volume morto.

De acordo com a projeção do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), no melhor cenário previsto para os próximos meses, seria possível deixar de utilizar o volume morto em novembro deste ano. Caso o índice de chuvas esteja abaixo do esperado, as reservas deverão ser utilizadas até o fim do verão, em 2016.

Imagem: Brasil Post
Imagem: Brasil Post

A realidade enfrentada por boa parte da população é de dificuldades ao abrir as torneiras de casa com a falta de água. Mas este contexto poderia ser diferente. De acordo com os cálculos realizados pelo jornal “Folha de S. Paulo”, a Grande São Paulo poderia ter 51% a mais de capacidade hídrica caso medidas tivessem sido tomadas desde janeiro de 2014.

“Não vai faltar água em São Paulo”

Esse foi o anúncio do governador, durante a corrida eleitoral para a reeleição. Já se previa um risco de colapso do sistema hídrico bem antes de a crise se instalar e, apesar disso, faltaram ações concretas que evitassem a proporção a que chegou a falta de água em São Paulo. Em ano eleitoral, a crise hídrica foi um assunto que ficou para segundo plano. Denúncias e gravações que provariam a omissão por parte da Sabesp sobre a real situação hídrica no Estado vieram à tona.

Imagem: Ana Carolina Moreno G1
Imagem: Ana Carolina Moreno/ G1

Apesar de não haver o racionamento oficial, a restrição da oferta de água foi admitida apenas em janeiro deste ano, poucos dias após Geraldo Alckmin tomar posse como o governador reeleito do Estado, e depois de a Agência Nacional de Água (ANA) determinar a redução do volume que a ser retirado do Sistema Cantareira.

Na websérie Volume Vivo é possível identificar algumas das ações de restrição de água em diversas regiões da Grande São Paulo. As ações são ainda mais graves, pois não há total transparência dos locais em que haverá escassez de água, algo essencial para o planejamento da população.

Imagem: Denny Cesare/ Estadão Conteúdo
Imagem: Denny Cesare/ Estadão Conteúdo

Diversas localidades na Grande São Paulo, e bairros na capital, principalmente em regiões mais altas, enfrentam a falta de água em diferentes momentos do dia, muitas vezes mais que em um dia da semana. A diminuição da pressão nos canos, e o fechamento por completo da água são algumas das ações que levam as torneiras a secarem.

Ainda é preciso mais

Apesar de o último inverno ter sido o mais chuvoso desde 2009, o Sistema Cantareira ainda está “no negativo”. O Tribunal de Contas do Estado também já afirmou que medidas importantes deveriam ter sido tomadas no combate à crise, entre elas a recuperação da represa Billings e o combate às perdas de água, em vazamentos e na distribuição do recurso às casas.

A Política Nacional de Recursos Hídricos prevê que a água é um bem de domínio público, que em situação de escassez deve ter como uso prioritário o consumo humano e de animais. A preservação desse bem renovável, mas escasso, envolve, além do fim do desperdício e da perda de água no caminho até as residências e comércios, o cuidado com a proteção dos mananciais e a busca por uma maior participação da comunidade.

Estadao Conteudo
Imagem: Estadão Conteúdo

O prêmio que comentamos, no início deste artigo, e recebido por Alckmin, foi oferecido simbolicamente pelo governador à população de São Paulo, à Secretaria de Recursos Hídricos e à Sabesp. A justificativa para a premiação é de que o governo do Estado de São Paulo encontrou alternativas para investir, em meio à crise. Mais que os esforços e dificuldades enfrentadas, cabe também à população a fiscalização e a cobrança por uma gestão eficiente dos recursos hídricos.

Quer saber mais?

Quer acompanhar o nível dos reservatórios em São Paulo?

Veja este site: //nossaaguasp.com

Quer conhecer mais sobre projetos e sobre a crise da água em São Paulo?

//crise.org/

//aguasp.com.br/

Conheça também o primeiro episódio da websérie Volume Vivo, e acompanhe o projeto multimídia pelo site:

Volume Vivo

[youtube https://youtu.be/90mfhpWppHw]

 

Referências: Folha de S. Paulo, G1, Uol