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Conheça todos os detalhes da Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi


Lina Bo Bardi foi uma das arquitetas mais importantes do século XX, uma pioneira do modernismo brasileiro. Ela elaborou projetos de extrema importância, nas mais diversas áreas artísticas, desde à construção civil até o design gráfico. Teve ideias revolucionárias, criou projetos de formas limpas e sem ornamentação, explorou novas tecnologias e materiais, como o concreto armado e o aço. Acabou ganhando muitos prêmios e serviu de fonte de inspiração para pessoas do mundo inteiro. Por isso, hoje, suas obras são estudadas pela academia juntamente com as de outros profissionais famosos, como Le Corbusier. Dentre as suas obras no Brasil, uma das mais conhecidas é a Casa de Vidro.


Veja também: Grandes nomes da arquitetura: Lina Bo Bardi


Em 1951, Lina se dedicou a projetar e construir sua própria residência. Apelidada de “Casa de Vidro”, esta obra é considerada como uma das mais emblemáticas de sua carreira – inclusive alavancando-a. Ela foi implantada em um grande terreno, parte de um loteamento de um bairro ainda não habitado em São Paulo, o Morumbi. O ambicioso esquema de showroom foi inspirado nas ‘Case Study Houses‘ americanas. E foi exatamente neste local que Lina e Pietro Maria Bardi, seu esposo, escolheram para viver durante 40 anos.

Casa de Vidro
Vista do acesso e fachada principal da Casa de Vidro. (imagem extraída de Casa Cor)



+ Sobre a implantação da Casa de Vidro

A Casa de Vidro foi construída em um terreno com 7 mil metros quadrados, às margens do Rio Pinheiros, onde antes havia uma antiga fazenda de chá. O local era então dominado pela Mata Atlântica, repleto de bichos selvagens. Lina tentou, ao máximo, preservar cuidadosamente esta vegetação – mas claro que a vegetação que se encontra ao redor da residência não é mais a mesma de desde o início da construção. A arquiteta moldou a paisagem pouco a pouco, criando trilhas decoradas – com cacos de cerâmica – e recantos repletos de novas espécies naturais.

Casa de Vidro
Croquis que a arquiteta Lina Bo Bardi desenvolveu no início do projeto da Casa de Vidro. (imagens extraídas de Instituto Lina Bo Bardi)
Casa de Vidro
Planta Baixa da Casa de Vidro. (imagem extraída de Cargo Collective)

Não demorou muito para que, onde antes só havia vegetação miúda, se desenvolvesse um belíssimo bosque. A floresta particular de Lina Bo Bardi parece, hoje, invadir a casa envidraçada. As grandes janelas instaladas – sem qualquer guarda-corpo de proteção – não limitam interiores e exteriores. Pelo contrário, são elas que proporcionam aos usuários destes espaços a valiosa relação com a natureza, a contemplação da paisagem e a ventilação cruzada em dias quentes. Até mesmo uma árvore foi mantida pela arquiteta em um pátio interno descoberto, localizado entre as salas principais da residência.

Casa de Vidro
Vão central da Casa de Vidro. As grandes aberturas de vidro fazem a integração do interior com o exterior. Destaque para a espécie natural preservada por Lina Bo Bardi. (imagem extraída de UOL)
Casa de Vidro
Planta de Corte da Casa de Vidro. (imagem extraída de Pinterest)

+ Sobre o projeto arquitetônico da Casa de Vidro

Na Casa de Vidro, Lina Bo Bardi exercitou uma arquitetura verdadeiramente poética. Assim como em muitos de seus outros projetos, ela expressou mais do que simples estilos e tendências estéticas, mas convicções. Lina Bo Bardi disse que “a finalidade da casa é a de proporcionar uma vida conveniente e confortável, e seria um erro valorizar demais um resultado exclusivamente decorativo.”

O plano original partiu de uma lógica racionalista. A edificação foi adequadamente posicionada sobre as colinas. O volume principal é uma caixa transparente bastante imponente, mas elegante e simples ao mesmo tempo. Nele estão as salas principais e a biblioteca, cercadas por janelas de vidros.

Casa de Vidro

Casa de Vidro
Vistas dos interiores da Casa de Vidro. (imagem extraída de Amuse e Pinterest)

O acesso principal da casa de vidro é feito por uma escada em aço, que vai do nível térreo ao andar superior. Este é um elemento importante, que se sobressai no vazio, em meio às outras peças da estrutura.  Ainda no mesmo piso estão a casa de máquinas e a garagem. Posterior a isso, numa área maciça e opaca, de poucas aberturas, estão os dormitórios e a área de serviços. Conectando as duas partes está a cozinha ampla e industrial.

Casa de Vidro
Escadaria que dá acesso ao segundo pavimento – e entrada principal – da Casa de Vidro. (imagem extraída de UOL)
Casa de Vidro
Planta de Corte da Casa de Vidro. (imagem extraída de Archdaily)

+ Sobre o projeto estrutural da Casa de Vidro

A Casa de Vidro é como uma caixa, flutuando de forma equilibrada sobre finos pilares de aço e vigas delgadas de concreto armado –  isso faz referência aos cinco pontos da arquitetura, propostos por Le Corbusier. Apesar do projeto arquitetônico ser de Lina Bo Bardi, foi o engenheiro Tullio Stucchi que executou os cálculos estruturais. A ideia dos profissionais era aproveitar o perfil natural do terreno inclinado para construir a zona de serviços, na parte de trás da residência, sobre muros de contenção. Já o módulo principal, com planta baixa livre e janelas em fita, foi dividido rigorosamente por uma malha estrutural vertical, com quatro módulos de largura por cinco de profundidade.

Casa de Vidro
Planta de Elevação da Casa de Vidro, vista da fachada principal. (imagem extraída de Cargo Collective)

+ Instituto Lina Bo Bardi

“A intenção deles era criar um lugar que servisse de centro de pesquisa e debate sobre arquitetura, arte e design brasileiros, e não só um espaço para homenagear a memória dos dois.” – Sonia Guarita Amaral, museóloga e presidente do instituto, em entrevista para a Casa Claudia.

Além de ter sido o endereço de Lina e Pietro durante muitos anos, a Casa de Vidro chegou a ser utilizada como residência temporária para artistas do Instituto de Arte Contemporânea de São Paulo. Em 1987, a Casa de Vidro foi tombada pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. Depois disso, ela tornou-se um local de convivência para arquitetos e intelectuais; e também de concepção e exposição de projetos. Hoje, ela funciona como o Instituto Lina Bo e P.M Bardi, onde o visitante pode ver arquivos preciosos que relatam a vida pessoal e profissional do casal, além outras coisas interessantes.

Faça um passeio pelas instalações do Instituto Lina Bo Bardi assistindo ao vídeo a seguir:

FontesAUoppaArchdailyViva Decora.


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