Ícone do site Blog da Arquitetura

Barulhentas, escuras e sujas: saiba como eram as cidadelas e arquitetura durante a Idade Média

A Idade Média, que ocorreu entre os séculos V e XV, marcou a história com a polêmica Inquisição. O tribunal eclesiástico, instituído pela igreja católica, ficou conhecido por “varrer” da Europa as bruxas e assim afastar a influência do demônio das pessoas. É exatamente no cotidiano dessas pessoas que a arquitetura se encaixa, com os conceitos de construções e cidades que refletem a cultura e o comportamento da época.

Uma vez que a igreja era o estado, ela controlava tudo a sua volta, incluindo as casas e os castelos, que possuíam características religiosas e artísticas com o emprego dos estilos romântico e gótico. Saiba mais a seguir.

Representação de como eram as cidades medievais (Imagem: Reprodução).

A arquitetura das cidades

Roma era a influência principal não só no âmbito político, mas também no arquitetônico. Como a época foi marcada por guerras e invasões, muralhas cercavam toda a cidade. Pedras, argamassadas ou não, eram o principal material de construção e, com ruas estreitas e sinuosas, a circulação era facilitada pelas pontes em arco.

Os mais favorecidos, ou seja, os que possuíam maior capital, viviam em castelos. Já os servos e comerciantes viviam em residências mais humildes feitas de madeira, com poucas aberturas, tornando o ambiente mais sombrio.

A falta de segurança influenciou diretamente nas características das construções que continham placas de pedra lacrando janelas e exércitos particulares comandados por nobres autônomos. Internamente, havia móveis rústicos e poço de água nas residências dos mais privilegiados.

As cidadelas – barulhentas, escuras e sujas – eram compostas por um conjunto de bairros e praças cercadas por enormes muros de pedra. As vielas dividiam espaço com diversos trabalhos que a população carecia. Na média, as cidades medievais tinham entre 250 a 500 habitantes. Não havia iluminação pública, nem tratamento de esgoto ou água, e eram comuns incêndios e rebeliões após o toque de recolher.

Representação de como eram os castelos medievais (Imagem: Reprodução).

Os castelos

O Cristianismo e o sistema feudal moldaram o cotidiano da população e das cidades durante a Idade Média. Muitos castelos foram erguidos baseados nesse conceito. A edificação em si era de madeira ou pedra, cercada por muralhas e possuía várias torres. Ao redor havia um fosso preenchido com água. Essa era uma tática de defesa, pois dificultava as invasões de reinos inimigos ou da população insatisfeita.

Alguns autores relatam que o fosso ao redor do castelo, na verdade, era o esgoto a céu aberto do próprio castelo. Por dentro, ele era frio e informal. Os cômodos eram enormes e em grande quantidade, além de conter passagens subterrâneas, calabouços e pontes levadiças.

Casas comuns na Idade Média (Imagem: Reprodução).

As casas comuns

As paredes espessas e maciças protegiam os moradores de toda a insegurança causada pelas guerras e invasões que assombravam a Europa. Arcos semicirculares e contrafortes se destacavam como principal sustentação. O renascimento comercial tornava possível novas perspectivas de construção medieval. Madeira e pedra eram praticamente o único material possível na época, pois não havia nenhum tipo de controle como existe hoje em dia com a extração de madeira, por exemplo. As casas eram escuras, com poucas aberturas, visando a proteção do morador contra o calor e o frio. No térreo das casas funcionavam lojas, oficinas ou pequenos comércios onde trabalhavam os moradores e a vida acontecia num só aposento da casa.

Planta baixa de uma igreja medieval (Imagem: Reprodução).

As igrejas

Nas igrejas, predominavam as linhas horizontais e o estilo gótico. Os reaquecidos centros urbanos europeus aumentaram o número de visitas às igrejas e orar nunca fora tão necessário como naquele momento. Diferente das casas e castelos, essas edificações eram mais leves devido ao simbolismo de que era a casa de Deus.

Com grandes paredes e janelas, eram a atração de toda a cidade. Vitrais coloridos, mais detalhes na ornamentação e na decoração eram uma descoberta diária. A envergadura desses prédios era bem maior e a igreja era construída em forma de uma cruz.

O cotidiano na cidade de Salem

Cidades como a de Salem viveram momentos de histeria coletiva. Surtos, como doenças e morte de pessoas e animais, eram comuns.

Além disso, se alguém fosse acusado de feitiçaria, deveria comparecer diante do juiz. Acreditava-se que a associação com o demônio produzia marcas no corpo, como um tumor, uma mancha, regiões que não sangravam ou polegar deformado.

Tensões internas das colônias entre as principais famílias tinham um grande peso político. O condenado era enforcado, tinha amputado algum membro ou sofria uma série de torturas e a população se aglomerava para assistir aos “espetáculos”. Muitas vezes os criminosos eram arrastados pelas ruas numa carroça e torturados antes da execução pública, sob o burburinho e os gritos das multidões. Mulheres, moças ou até mesmo meninas não eram poupadas caso julgadas bruxas.

Caça às bruxas

A perseguição às bruxas começou quando a Europa se tornou cristã. Porém, acima da religião cristã, o problema estava (e permanece) naqueles que se julgam capazes de julgar alguém. A arquitetura de uma cidade reflete como a população é tratada, por isso as cidades da idade das trevas eram totalmente inabitáveis e arquitetonicamente errôneas por fatores de higiene e espaço.

A jornada arquitetônica na era medieval aponta que a essência das edificações do século V até o século XV era a necessidade e as condições que a época oferecia. Como exemplo, as pedras – usadas por motivos de segurança, mas também por uma razão econômica, por serem de fácil acesso e baixo ou nenhum custo. Definindo a arquitetura da Idade Média, a simbologia dos elementos fundamentou um conceito que vai além do românico ou gótico.


*Artigo enviado por Rafaela Quirino, graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela UNIPAC / Barbacena, e adaptado para o Blog da Arquitetura.

Sair da versão mobile