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Arquiteto: saiba como revalidar seu diploma para trabalhar no exterior

O mercado de arquitetura tem se mostrado bastante difícil para os recém-formados, principalmente nos últimos anos. Como alternativa, muitos profissionais têm viajado para o exterior. Eles visam obter novas experiências, conhecimentos e qualquer outro incremento para o currículo. Outra questão que os atrai são as milhares de vagas abertas todos os anos em escritórios de empresas multinacionais, possibilitando intercâmbio nos cinco continentes.

Porém, atuar em uma área específica sem diploma reconhecido e registro no conselho da categoria é impossível, seja no país que for. Então, nenhum arquiteto, mesmo que tenha se formado com as melhores notas na melhor universidade do seu país, pode exercer a profissão no exterior sem a devida revalidação do diploma. O processo pode ser bastante complexo, porém, vale a pena. Depois da homologação completa, ele terá, no país escolhido para residir, os mesmos direitos e obrigações como qualquer outro formado – claro, passando a ser regido pela legislação e normatização local.

(imagem extraída de Pixabay)

O Blog da Arquitetura reuniu algumas informações e conta como a revalidação de diplomas de arquitetura para brasileiros no exterior, mesmo sendo muito difícil, é algo possível de ser feito. Confira a seguir!

+  Os cursos de Arquitetura no Exterior

No Brasil, o curso de Arquitetura & Urbanismo dura em média cinco anos. O aluno graduado recebe o título de Bacharel. As universidades europeias, por exemplo, entendem que essa formação equivale à apenas um ciclo da sua educação superior. Os cursos realizados no velho continente são divididos em duas etapas: profissionalizante, de três anos, e master, de dois a três anos. Então, na comparação, para exercer a profissão no exterior, o brasileiro precisaria ainda estudar por mais um ano.

Alguns acadêmicos apostam que o processo tradicional de revalidação de diplomas, aplicado pelas instituições europeias, estaria prestes a mudar. Com isso, surgiriam novos requisitos. Ao invés de seguir tantos trâmites, o aluno cursaria apenas as matérias faltantes para completar o programa de graduação no novo país. Depois disso, para poder exercer a profissão, bastaria apenas cursar o master. Mas, a discussão das autoridades ainda está muito longe de terminar. Então, por ora, a validação dos diplomas está condicionada aos velhos requisitos formativos.

(imagem extraída de Pixabay)

+  Alguns processos de revalidação

+ América

Os requisitos para revalidação de diplomas no exterior vão depender de cada país ou estado de destino, como é o caso dos Estados Unidos. Aliás, em solo americano, o arquiteto brasileiro precisará passar, no mínimo, por um exame de proficiência. Alguns dos requisitos mais comuns exigidos são a especialização ou mestrado, além de quatro anos de experiência na área de trabalho. Quem pensa que isso é demais, deve saber que em países vizinhos ao Brasil, como a Argentina, o profissional também deve-se fazer provas teóricas e práticas. A diferença é que lá a autorização é concedida por apenas três anos, podendo, ou não, ser renovada.

No Canadá, cada província tem seu próprio processo de validação. Lá, o arquiteto precisará apresentar toda sua documentação traduzida para o idioma oficial da região onde decide residir. Também precisará comprovar experiências de sete anos na área, e mais seis meses de trabalho em solo canadense. Depois disso, ainda há uma entrevista acadêmica e provas de equivalência do conteúdo. Se for aprovado, o profissional receberá um certificado – com nome de Broadly Experienced Foreign Architect, ou Arquiteto Estrangeiro com Vasta Experiência. Esse documento é o reconhecimento de suas qualificações acadêmicas.

(imagem extraída de Pixabay)

+ Europa

A União Europeia exige que o arquiteto esteja inscrito no Colégio de Arquitetos do território onde for residir para poder atuar na sua área. Para isso, ele precisará validar seu diploma em solo europeu. Geralmente, o profissional deve escolher uma universidade pública no país, realizar as provas e elaborar um projeto final de graduação –  que é o exercício comum no último período da faculdade, servindo para demonstrar sua capacidade para o exercício da profissão. Uma vez superados estes requisitos, a instituição emite um certificado, que deve ser em seguida encaminhado para Ministério da Educação.

(imagem extraída de Pixabay)

+ Principais obstáculos para os arquitetos

Trabalhar com arquitetura no exterior não é tarefa fácil. Primeiro é preciso saber falar o idioma local. Depois, comprovar qualificação e experiência no desenvolvimento das atividades específicas da profissão. E se adaptar às características sociais e culturais do país escolhido. Quem não fica atento às peculiaridades de cada revalidação acaba por desistir facilmente do sonho de morar fora. Eis os principais obstáculos que os brasileiros costumam enfrentar neste tipo de processo:

  • Dificuldade em obter uma lista de bibliografia básica para realização das provas;
  • Conseguir tutoria ou apoio docente nas universidades no exterior;
  • Assimilar as particularidades do lugar, como condições climáticas, materiais, sistemas construtivos e equipamentos distintos;
  • Compreender, em pouco tempo, a normatização e os códigos de edificação a serem obedecidos e respeitados; e
  • Administrar suas horas de estudo com a formação complementar e o trabalho temporário, necessário para seu sustento.
(imagem extraída de Pixabay)

+ DICAS

Iniciar a graduação fora do Brasil é mais fácil do que enfrentar, posteriormente, a revalidação do diploma. Também há mais chances de o aluno absorver uma nova língua, uma nova cultura e ter perspectivas diferentes de sua futura profissão. Certamente, como a educação no exterior é mais valorizada, isso lhe abriria muito mais portas no mercado de trabalho. Mas, quem não teve esta chance e começou seus estudos por aqui não deve temer.

Há rumores de que as universidades lá fora, principalmente na Europa, têm ordens de aprovar o mínimo possível de estrangeiros. Isso supostamente protegeria o mercado interno e evitaria um aumento nos índices de desemprego. Mas, se você tem todos os documentos requeridos devidamente legalizados, obteve notas mínimas em todas as provas solicitadas e realizou um projeto final de graduação completo, não precisa se preocupar. Procure antes conversar com outras pessoas que já tenham passado por esta experiência. E boa sorte!

Para mais informações, referentes ao processo de revalidação de diplomas brasileiros no exterior, recomendamos a leitura do Relatório sobre Procedimentos emitido pelo Governo Federal em maio de 2014.

Já se você é arquiteto estrangeiro e deseja ter seus direitos e deveres homologados no Brasil, consulte a Resolução do CAU/BR Nº 87/2014.

FontesCAU.


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Mas afinal, o que é Arquitetura?

  • Deise Amazonas

    Deveria ser assim, no entanto fui munida de todos os documentos, ( sou formada na UFPR, tenho especialização e mestrado) devidamente apostilados, com as ementas, etc, e fui informada que não poderia me inscrever, deveria primeiro ir a Universidade validar meu diploma. Ok. Fui a Universidade , no departamento de arquitetura, me informaram que meu mestrado que fiz na Unicamp, não valeria pois o mestrado que eles tem (anexo ao Curso de Arquitetura), é GENÉRICO !!, e meu mestrado era específico em iluminação.
    Disseram que tbm o convenio CAU-OA não estava dando certo. Então teria que me inscrever no mestrado, depois pedir validação de créditos, e mesmo tendo todos os créditos ainda assim teria que esperar 1 ano e defender a dissertação. No entanto o custo do mestrado, por ser estrangeira é de 7000 euros! Bom, como tenho visto de residencia em Portugal, fui ao órgão competente requisitar o estatuto de igualdade, para pagar um terço do valor. Daí me disse a funcionaria que o processo demoraria cerca de 1 ano. Triste mesmo… Convênios que só estão no Papel…

    • Simone Tagliani

      Olá Deise. Nossa, teu depoimento é bastante válido para nós. Realmente, enquanto fizemos nossa pesquisa, descobrimos que Portugal é um dos países que menos aceita esse intercâmbio de estudantes. Em tese, não deveria, pois sempre ouvimos que os dois países trabalham em conjunto para uma boa troca comercial e cultural. Mas, enfim, o importante mesmo é alertar aquelas pessoas que sonham em estudar ou até mudar em definitivo para o exterior de que, sim, é possível. Porém, antes, elas devem se informar direitinho sobre tudo que for necessário para ingressar na instituição desejada. E essa coisa que você relatou, que “o convênio entre CAU e OA não estava dando certo” é bastante interessante. É algo para se refletir. Como o nosso conselho está sendo reconhecido e lutando pela nossa categoria tanto lá fora quanto aqui mesmo no Brasil? :) Te desejo toda a sorte. Tomara que consigas, enfim, seguir com seu plano de estudos. Abraço

  • disqus_2SPiyxSO7e

    Boa noite, Simone. Gostei do artigo, porém estava procurando por informações sobre o processo contrário, quando nos formamos no exterior e qual é o processo para revalidação do diploma em nosso pais. Se tiver algum artigo sobre comente por favor, ou se tiver informações sobre, acredito que podem existir mais interessados. Obrigado!

    • Simone Tagliani

      Olá Moyses,

      Bem, além das informações que já foram colocadas no artigo… o que te indico é procurar o conselho profissional brasileiro para obter maiores informações. Provavelmente, eles devem dar as orientações de quais instituições você deve encaminhar seus documentos. Acredito que assim como um estudante estrangeiro comum, você precisará adequar seu currículo ao que é estipulado pelo MEC para a área profissional. Ou deverá reapresentar seu TCC. Se você ainda está no exterior, talvez possa já tirar algumas informações em um consulado brasileiro. O cônsul ou a consulesa sempre tem informações importantes sobre as relações entre países, e isso inclui a educação. OK? Espero ter lhe ajudado. Abraço.

    • Danilo Gomes

      Tambem gostaria de saber mais sobre o processo contrario, Obrigado.