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Arquiteto faz poema em homenagem a Oscar Niemeyer

Oscar Ribeiro de Almeida Niemeyer Soares Filho ou simplesmente Oscar Niemeyer. Esse é um dos nomes da arquitetura brasileira mais reconhecidos no mundo inteiro. Ele, sem dúvidas, foi uma das figuras-chave para o desenvolvimento da arquitetura moderna, principalmente por projetar Brasília, uma cidade totalmente planejada e que se tornou a capital do país.

Por toda sua significância por aqui e no exterior, homenagens a Niemeyer nunca são demais e foi isso que o arquiteto e urbanista Paulo Casé resolveu fazer. Ele criou um poema para demonstrar seu respeito ao gênio. Veja:

Salve a arquitetura brasileira

A natureza é agente do imprevisível.

Se manifesta com poder imensurável

Afetando o eterno e o transitório

Do cosmo infinito a coisa humana

Do tempo tem regência soberana

Outrossim, é caprichosa e sacana.

Em raras ocasiões decide

Injetar num só indivíduo

Uma tal sorte de virtudes

e notável rol de qualidades

que causam a imortalidade

A severa seleção dos eleitos

Aponta raros privilegiados.

Um destes seres distinguidos

Pelo esplendor sua alma nacional

E obra aclamada pelo mundo

Ressalta-se o gênio fenomenal

De Oscar Niemeyer

Com curva abarrocada e sensual,

Compilada pela antologia mundial,

Criou acervo de valor intemporal

Clamando a brasilidade universal.

Com a pesada pedra bruta

Gerou a leveza da matéria.

Conferindo ao belo

Função fundamental

Rompendo a dureza

Da fria reta racional

Ousando violar dogma

Da arquitetura moderna

Ciente da escala humana e

Monumental,

Configurou formas com fluidez

Espacial,

Compondo sólidos insólitos

E transparentes.

Conjugando volumes puros

E flutuantes,

Combinou a curva com a beleza,

Conciliando a arquitetura com a

Natureza.

Como amigo, se comportou como irmão,

como político, foi solidário com o povão,

como homem, é pródigo com os seus,

como arquiteto, foi parceiro de Deus.

Constatando na pobreza

Discriminação,

Condenou a injustiça de forma

Intransigente.

Convencido por farta e visível

argumentação,

Converteu-se comunista,

Com legítima convicção,

Com destemor enfrentou

Uma rigorosa repressão.

Corajoso, em toda a vida

Só teve medo de avião.

Cercado pelo obscuro autoritarismo

Patrício,

Censurado no desempenho do seu

Ofício,

Caminhou rumo à distância

Em busca liberdade essencial.

Começando no Velho Mundo

Sua atividade Internacional.

Conheceu o apoio irrestrito da

de toda inteligência local.

Concebendo obras consagradas

pela insuspeita crítica mundial.

Crente que era ateu, tudo comprova que não

Carregando virtudes em larga proporção,

colecionando qualidades de igual dimensão,

confirma que de um milagre da encarnação.

Compartilhando da régia estirpe dos santos.

Contou na entrada do céu louvores e cantos.

Contagiou as plateias com sua fala inteligente.

Comunicou-se pela escrita num estilo

singelo,

comentou fatos da vida com palavra

contundente ,

cativou seus íntimos com humor

permanente.

No papel branco e o gesto negro

de carvão,

consumou na prancheta a figura livre

da emoção.

Conseguiu tanto fazer arte, em Brasília,

na catedral

como em Miguel Pereira, na pequena

capela genial,

construída por José Aparecido, seu

amigo fraternal.

Contribuindo com talento,

Sem investir um só tostão,

Niemeyer é o arquiteto

que em vida, virou Fundação.

 

Dono de estilo modernista e racional, Casé têm em suas obras muitas influências do arquiteto estadunidense Frank Lloyd Wright. Dentre os projetos de sua autoria, destacam-se os hotéis Hilton, Marriott e Le Méridien (atualmente Iberostar) do Rio de Janeiro, e o prédio Rio Metropolitan.

E aí, o que achou do poema?

Fonte: Jornal O Globo